“Não sei como explicar às crianças”, diz mulher de Macarrão

Rosemeire Maria de Jesus aparenta ser uma mulher com medo. Há dezessete dias, seu amásio, João Carlos Pinheiro, o “Macarrão”, 43 anos, saiu de casa para nunca mais voltar. Era uma noite de sábado, 26 de maio, quando o homem entregou à esposa a quantia de R$ 15,00, guardou cinco para si e avisou: “Tô saindo, vou trabalhar amanhã”. Feito isso, não tornou a ser visto.

“Ninguém sabe, ninguém deu notícias”, resume Rosemeire, com voz baixa e jeito humilde. Aparentemente, ela se sente desconfortável em falar sobre o assunto. Com Macarrão, teve dois filhos, um garoto de oito anos, portador de necessidades especiais, e outro de cinco. O mais velho, diz ela, tem chorado muito e perguntado pelo pai. “Eu peço a ele para ficar calmo e digo que o João logo volta. Eu não sei como explicar às crianças o que houve”, comenta.

Desde o sumiço, diferentes informações têm se espalhado pela cidade. A maioria delas dá conta de uma suposta tortura seguida por execução, ordenada por traficantes do Bom Pastor. Mas, em outra linha de investigação, a Polícia Civil também considera a hipótese de Macarrão ter deixado Piedade, vivo e por livre e espontânea vontade.

Sobre as possibilidades, Rosemeire evita tecer comentários. “Não sei dizer. Ele apenas sumiu”, resume, de cabeça baixa. A respeito do envolvimento do companheiro com drogas, as respostas também são evasivas. “Desconheço, eu ficava ocupada cuidado das crianças”, desconversa.

A mulher também afirma ignorar possíveis ameaças ou inimizades de Macarrão com pessoas dispostas a mata-lo. “Olha, moço, a gente era um casal diferente. Morávamos juntos, mas estávamos meio separados faz tempo. Ele não se abria comigo”, explica.

Para Rosemeire e o restante do município, o sumiço de Macarrão continua a ser um indecifrável mistério.

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