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Acusada de latrocínio engana cidade inteira fingindo ser médica
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Uma equipe do 63º Distrito Policial da Capital que estava em Piedade à procura de uma mulher acusada de latrocínio (roubo seguido de morte) acabou flagrando também um caso de exercício ilegal da medicina dentro do Ambulatório Médico Municipal. Camila Aline da Silva Matias da Rocha, de 29 anos, juntamente com dois comparsas, assaltou um casal na zona leste de São Paulo, em 18 de setembro deste ano. Depois de roubar o veículo, um Astra, o trio acabou matando o homem com três tiros na cabeça. Para fugir da polícia, a mulher decidiu vir para o interior e trabalhar disfarçada como médica, embora tivesse apenas o diploma do ensino médio.

De acordo com o delegado da Polícia Civil de Piedade, José Chaves de Melo, investigações coordenadas pelo 63º DP Paulistano, na Vila Jacuí, revelaram que Camila estava escondida em Piedade. Depois de conseguir um mandado de prisão temporária de 15 dias contra ela, a equipe formada por dois delegados e dois investigadores foi destacada para efetuar a captura. Os policiais da Capital chegaram ao Ambulatório Médico Municipal por volta das 17h de 23 de novembro, no momento em que ela concluía atendimento a um garoto de quatro anos com suspeita de pneumonia. Este seria o 130º paciente dela em três dias de plantão.

Sobre a mesa dela, no consultório número dois do Ambulatório, estava o carimbo usado no receituário e encaminhamentos, em nome da médica Bruna Camila Braga e com o número do registro no CRM (Conselho Regional de Medicina) correspondente. Para evitar transtornos aos inúmeros pacientes que se encontravam na sala de espera, os policiais pediram que a falsa médica os acompanhasse até o corredor externo do prédio e apresentaram a ordem judicial de prisão. A acusada esboçou uma tentativa de reação, alegando não ser quem os policiais imaginavam, mas acabou confessando a utilização de identidade falsa e o exercício ilegal da medicina.

Camila foi levada para a Delegacia de Piedade, juntamente com duas testemunhas, uma enfermeira do Ambulatório e a mãe do último paciente atendido por ela. A falsa médica foi a última a prestar depoimento ao delegado José Chaves de Melo, tendo aguardado durante aproximadamente uma hora em uma cela provisória. Todo o tempo ela permaneceu com o rosto escondido.

Ela declarou que atuou como clínica geral no ambulatório durante três sextas-feiras, contando com o dia da prisão. Ela explicou que soube da falta de médicos na cidade pela internet e decidiu adotar o nome falso, bem como o registro no CRM. Relatou que há algumas semanas apresentou-se no Ambulatório como dra. Bruna, mas ninguém pediu que preenchesse ficha funcional ou apresentasse documentos. Alguns dias depois ela teria sido contatada por telefone e chamada para fazer plantões de 12 horas às sextas-feiras. Ela não soube informar o nome da pessoa com quem conversou nas duas ocasiões.

Camila, que já respondeu processo por receptação, foi indiciada por exercício ilegal da medicina, crime punido com pena de seis meses a dois anos de prisão. Os policiais da Capital a levaram para o 89ª DP, localizado no Morumbi. A informação é de que ela está presa em um presídio feminino.

 

SEM EXPLICAÇÃO

Quase uma semana depois da prisão da paulistana Camila Aline da Silva Matias da Rocha, de 29 anos, que se fazia passar por médica e atendia no Ambulatório Municipal de Piedade, ninguém apresentou uma explicação definitiva para o caso. Em lugar disso, informações desencontradas, emitidas por pessoas ligadas diretamente ao setor de saúde, acrescentam mais mistério à história. Todos os órgãos consultados fazem comentários extraoficiais, mas se apressam em dizer que estão investigando para poder se posicionar.

Para a Prefeitura, a responsabilidade pela falha que permitiu a uma leiga atuar no atendimento médico é da empresa Pronto Med, contratada pela Santa Casa de Misericórdia para fornecer os profissionais especializados que fazem o atendimento médico no Ambulatório Municipal. O diretor de Gabinete, Marcelo Silva Vieira, enviou comunicado ao jornal, informando que um inquérito foi instaurado para apurar os fatos, mas adiantou que todos os culpados serão punidos.

 

GOLPE COMEÇOU EM SOROCABA

De acordo com as informações obtidas pela Folha de Piedade, o Ambulatório Médico de Piedade não foi a primeira vítima da falsária. Ela já estaria exercendo a profissão ilegalmente há pelo menos dois meses em hospitais da região. O diretor municipal de Saúde, Francisco Vieira Filho, revelou, durante reunião extraordinária do Conselho Municipal de Saúde, que, supostamente, Camila teria prestado serviços também na Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba.

A informação de Francisco foi confirmada pelo cirurgião Djalma Romero Cardoso, um dos médicos que integram a Pronto Med, terceirizada que presta serviço ao Ambulatório Municipal de Piedade. Ele contou que a mulher se apresentou no hospital sorocabano com o mesmo CRM que usou em Piedade e trabalhou em diversos plantões.

Por intermédio do clínico Ariosvaldo Diniz Florentino, que atua nas Santas Casas de Sorocaba e também de Piedade, ela teria conseguido alguns plantões no hospital piedadense, onde teria atendido centenas de pacientes.

Djalma acrescenta que ela chegou ao Ambulatório Municipal indicada pelo diretor clínico do próprio Ambulatório, o dr. Eraldo, para substituir o dr. Valter – outro contratado por meio da Pronto Med – nas duas sextas-feiras em que ele precisaria faltar. “Ela veio já orientada da Santa Casa, como são eles [o hospital] que coordenam o serviço, eu não tinha porque fazer qualquer questionamento”, explicou o médico.

 

LETRA LEGÍVEL

Quem acompanhou a atuação da falsa médica Camila Aline da Silva Matias da Rocha em Piedade assegura que ela era atenciosa e educada. Destoava dos outros médicos por ser muito vagarosa, conseguindo atender, no máximo, 40 pacientes por plantão, quase metade da produção dos demais médicos. Outro fato que chamava a atenção era a letra legível.

O diretor municipal de Saúde, Francisco Vieira Filho, disse que o encaminhamento e receituário passado por ela não chegaram a comprometer a saúde dos pacientes. Segundo ele, outros médicos revisaram todas as 130 fichas de atendimento preenchidas por ela no Ambulatório Municipal, mas não encontraram nenhum caso em que as providências tomadas pudessem provocar transtornos. Por isso, Francisco não achou necessário chamar os pacientes dela para uma nova consulta. “Se alguém, eventualmente, perceber algum problema, deve retornar ao Ambulatório para ser examinado”, aconselhou.

No depoimento à Polícia Civil de Piedade, Camila explicou que não cursou faculdade de medicina, mas garante que aprendeu muito lendo e pesquisando na Internet.

Daiane Leite da Rocha, de 21 anos, mãe do último paciente da falsa médica no Ambulatório, disse que não notou nada de extraordinário nos procedimentos de Camila. Apesar do susto que levou ao ser informada que a mulher que acabara de medicar seu bebê era impostora, reconheceu que foi bem atendida.

A dona de casa relatou que o filho mais velho, de 4 anos, não estava bem desde o início da manhã. “Respirava com dificuldade e reclamava de dores no peito”, lembra Daiana. Ela conta que tentou conseguir uma ambulância para levar o garoto de sua residência, no Bairro dos Moreiras, ao Ambulatório desde as 8h. Um vizinho acabou dando carona por volta das 14 horas. Após cerca de 45 minutos de espera, seu filho foi chamado pela Dra. Bruna para o Consultório 2. Educada e até brincando com a criança, a falsa médica escutou o peito do pequeno paciente com o estetoscópio e decidiu encaminhar o tratamento por meio de duas inalações seguidas, ingestão de 17 gotas de Tylenol e ainda pediu radiografia do tórax.

Pouco antes das 17h, quando todas as prescrições já haviam sido executadas, a “médica” chamou novamente o paciente. Explicou que o raio x indicava secreção fora do normal no pulmão e encaminhou o garoto à Santa Casa, para ser melhor atendido. Essa última orientação foi seguida após Daiane prestar depoimento na delegacia. O garoto permaneceu no hospital durante algumas horas para observação e medicação.

 

PREFEITURA ACUSA EMPRESA

O diretor de Gabinete da Prefeitura, Marcelo Silva Vieira, atribuiu à empresa terceirizada Pronto Med  Sorocaba Atendimento Médico Ltda. a responsabilidade pela falha que permitiu a uma impostora Camila Aline da Silva Matias da Rocha trabalhar no Amomp (Ambulatório Médico e Odontológico de Piedade) três sextas-feiras seguidas como médica sem ser importunada. Segundo ele, o plantão médico nos dias em que a mulher atuou é de inteira responsabilidade dessa empresa.

No entanto, a acusada teria dito, no depoimento que prestou à Polícia Civil de Piedade, antes de ser transferida para São Paulo, que o acerto para a prestação de serviço foi feita por telefone, diretamente com um funcionário da Diretoria de Saúde. Ela não revelou o nome da pessoa com quem conversou.

Na tarde de terça-feira (27), o diretor municipal de Saúde, Francisco Vieira Filho, disse à Folha de Piedade, por telefone, que estava investigando os fatos para poder se pronunciar. Pouco tempo depois, a Prefeitura enviou e-mail ao jornal com a nota oficial assinada pelo diretor de Gabinete, que é filho do responsável pela pasta da Saúde. Veja o que diz a nota:

“Informamos que no dia 23 de novembro chegou ao conhecimento da Administração Municipal que a senhora Camila Aline da Silva Matias da Rocha foi presa nas dependências do Amomp (Ambulatório Médico e Odontológico Municipal de Piedade). Segundo consta no Boletim de Ocorrência, a aludida pessoa se passava por médica e estaria realizando atendimento.

Diante deste fato, a Prefeitura instaurou procedimento para apurar tal situação e, através da Diretoria Municipal de Saúde, consultou o cadastro de médicos no site do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo). Nesta consulta, foi constatado que o número de registro utilizado pela senhora Camila em seus carimbos de identificação efetivamente existe.

Esclarecemos que a senhora Camila não é servidora municipal, portanto, nunca recebeu remuneração da Prefeitura. Informamos, ainda, que a senhora Camila foi detida no dia e horário em que o plantão médico é de responsabilidade de empresa que presta serviço complementar para cobrir escala de plantões não atendidos por médicos do quadro de servidores do Município.

Contudo, a Prefeitura está tomando todas as providências no sentido de esclarecer os fatos ocorridos e responsabilizar a quem de direito.”

 

VEREADORES SE REVOLTAM

A revelação de que uma mulher que nunca entrou em uma faculdade atuava no Ambulatório Municipal de Piedade como se fosse médica provocou indignação na Câmara Municipal. O caso foi o principal tema debatido na sessão de 26 de novembro, sendo puxado pelo petista Geraldo Pinto de Camargo Filho, um dos integrantes da bancada do prefeito Geremias Pinto. Ele pediu aos companheiros de Legislativo que se mobilizem para obrigar a Prefeitura a enviar um representante para prestar esclarecimentos do ocorrido à sociedade.

Geraldinho disse que ficou surpreso com a facilidade com que Camila Aline da Silva Matias da Rocha, de 29 anos, conseguiu se infiltrar em um serviço público tão importante como o Ambulatório Médico. Ele até fez uma comparação entre os níveis de exigências que são apresentados às pessoas mais humildes e àquelas que possuem diploma. “Se fosse outra pessoa, iriam pedir CIC, RG e outros documentos, mas quando se trata de médico ou engenheiro ninguém pergunta nada”, lamentou.

O vereador comentou que quando se vê casos semelhantes nos jornais e na televisão, as pessoas ficam horrorizadas, mas não têm ideia da exata dimensão do problema, porque ele está longe. “A sensação que fica é de que nunca vai acontecer conosco. Quando chega a nossa vez, ficamos mais indignados ainda”, comentou. Geraldinho disse que não houve tempo para elaborar um requerimento, já que a prisão ocorreu no final de sexta-feira (23). Para ele, o ideal seria criar uma comissão de vereadores para apurar o caso, mas como a legislatura está a menos de um mês de terminar, não haveria tempo para concluir as investigações. “Diante disso, a melhor maneira de dar uma resposta á opinião pública é trazendo um representante oficial da Administração Municipal para explicar o que realmente ocorreu”, concluiu.

 

NORTON QUER O DIRETOR

Para Norton Nakayama, líder do PSDB, não basta qualquer funcionário da Prefeitura ir à Câmara falar sobre o que ocorreu. Segundo ele, quem deve ir é o próprio diretor Municipal de Saúdo, Francisco Vieira Filho. “Ele tem que vir e já trazer informações. Não adianta vir para dizer que estão verificando, que vão ver o que aconteceu”, justificou.

Norton destacou que ninguém está livre de cometer erros. “O que não se pode admitir é que fiquem tentando culpar outras pessoas pelas nossas falhas”, completou. A observação do líder da oposição ao prefeito Geremias é uma alusão clara à atitude do diretor de Gabinete do Paço, Marcelo Silva Vieira. Segundo o tucano, pouco depois da prisão da falta médica, o assessor da Prefeitura publicou um post na rede social Facebook informando que a responsabilidade pela contratação dos profissionais que atuam no Ambulatório Municipal é da empresa terceirizada Pronto Med Além disso, Marcelo acrescenta que a gestão do pessoal médico é da Santa Casa de Misericórdia de Piedade.

Notícia do dia : 08/12/2012         | Sessão   Policia |

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sara
11/12/2012 , 22:15:46
como pode né ,contratar uma bandida dessa para medicar os coitados que todos os meses tem que pagar o imposto , mas na ora que precisa da saude olha la quem eles contrata uma vagabunda ,o que ela pode receitar se nao te matar na ora , receita como matar, como ela conseguiu dilpoma de medica , o SR prefeito qualifica melhor as pessoas que contrata os medicos ai........
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