A sustentabilidade deixou de ser uma iniciativa complementar para se tornar parte da estratégia da hotelaria de luxo.
Para Taiza Krueder, CEO do Grupo Clara Resorts, a agenda ESG passou a influenciar desde a operação dos empreendimentos até a forma como os hóspedes escolhem onde se hospedar. A empresária atua na implementação de projetos ligados ao consumo consciente, integração cultural e qualificação profissional dentro da cadeia do turismo.
Segundo levantamento da consultoria Booking.com, 76% dos viajantes globais afirmam desejar viajar de forma mais sustentável nos próximos anos. O estudo também aponta que a preocupação ambiental já influencia decisões relacionadas à hospedagem, alimentação e escolha de experiências durante as viagens.
Sustentabilidade como parte da operação
Na prática, a adoção de critérios ESG na hotelaria envolve desde gestão de água e energia até ações sociais e fortalecimento da economia regional. De acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), hotéis podem consumir até oito vezes mais energia por metro quadrado do que edifícios residenciais, o que coloca pressão sobre o setor para rever processos e reduzir impactos ambientais.
Taiza Krueder afirma que a sustentabilidade precisa estar conectada à operação e à experiência oferecida ao hóspede. Segundo ela, medidas isoladas já não são suficientes diante das exigências atuais do mercado. “A discussão sobre ESG deixou de ser apenas institucional. Hoje ela está ligada à forma como os hotéis operam, se relacionam com fornecedores, treinam equipes e conduzem o consumo de recursos”, afirma.
Ela observa que o conceito de luxo também vem passando por transformação dentro da hotelaria. “Existe uma demanda crescente por experiências associadas à autenticidade, bem-estar e responsabilidade ambiental. O consumidor busca serviços alinhados a práticas mais transparentes e conscientes”, diz.
Integração com comunidades locais ganha espaço
Outro ponto que tem avançado dentro da agenda ESG é a relação entre empreendimentos turísticos e comunidades locais. A Organização Mundial do Turismo (OMT) destaca que o turismo sustentável depende da geração de benefícios econômicos compartilhados, incluindo emprego, capacitação e valorização cultural das regiões onde os empreendimentos estão inseridos.
No Grupo Clara Resorts, Taiza afirma que parte das iniciativas envolve integração com produtores e artistas locais, incentivo à cultura regional, produção própria de alimentos, horta orgânica e programas de capacitação dos profissionais para o setor de hospitalidade. Segundo ela, o fortalecimento da economia local passou a ser entendido como elemento estratégico para a sustentabilidade do turismo.
“A atividade turística movimenta uma cadeia ampla de serviços. Quando há investimento em capacitação e inclusão de fornecedores locais, o impacto econômico se torna mais distribuído”, afirma.
Ela também destaca que a gastronomia tem papel importante nesse processo. Além de estar à frente do desenvolvimento do cardápiodo restaurante Braugarten e de projetos de educação alimentar, Taiza defende que o aproveitamento consciente de insumos e a valorização de ingredientes regionais ajudam a reduzir desperdícios e estimular cadeias produtivas locais.
Pressão regulatória e metas ambientais ampliam mudanças
Além da demanda dos consumidores, especialistas apontam que o avanço de regulações ambientais e metas corporativas de descarbonização devem acelerar mudanças na hotelaria nos próximos anos. Um relatório da consultoria Deloitte indica que empresas do setor de turismo e hospitalidade têm ampliado investimentos em eficiência energética, rastreabilidade de fornecedores e métricas de impacto socioambiental.
Para Taiza, o desafio agora é transformar sustentabilidade em prática contínua e mensurável. “O ESG exige acompanhamento permanente. Não se trata apenas de comunicação institucional, mas de indicadores, treinamento e revisão de processos”, afirma.
Ela avalia que a tendência é que critérios ambientais, sociais e de governança ganhem peso crescente tanto para investidores quanto para consumidores. “A sustentabilidade passou a fazer parte da competitividade do setor”, conclui.
Sobre Taiza Krueder
Taiza Krueder é CEO do Grupo Clara Resorts e chef formada pela École Supérieure de Cuisine Française Ferrandi Paris. À frente do Clara Arte, Clara Dourado e Clara Ibiúna, atua na gestão de operações voltadas à integração entre hospitalidade, sustentabilidade, experiências culturais e lazer familiar.
Também é responsável pela área criativa da cozinha do restaurante Braugarten, dedicado à culinária alemã, e desenvolve projetos de conteúdo gastronômico, como o canal Clara in Casa que, recentemente, ganhou uma versão em livro com o mesmo nome para presentear os hóspedes do hotel, e o livro “O Sabor de Compartilhar”, com foco em receitas práticas e educação alimentar.
Sua atuação inclui a implementação de práticas de ESG, com iniciativas voltadas ao consumo consciente, à integração com a comunidade local e à qualificação de profissionais do setor de turismo.


